segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

urbanização capitalista




As recentes tragédias causadas pelas chuvas em Santa Catarina, Espírito Santo ,me fez refletir sobre a distribuição de áreas a serem ocupadas principalmente dentro das cidades. A forma como as coisas são pela ótica do capitalismo, exclui cada vez mais as populações menos favorecidas para áreas mais longe e arriscadas. Os próprios investimentos públicos causam impactos diferentes sobre as diferentes partes da cidade: em áreas ricas,acaba valorizando ainda mais o patrimônio das pessoas ou classes que detêm o capital para fim de especulação imobiliário. Nas áreas pobres quando chega o investimento ,em muitos casos anos depois da chegada da população, o que deveria ocorrer ao contrário,a valorização acaba expulsando essas populações para mais distante ainda das áreas centrais.Isso, é mais fácil de se observar ao longo das décadas, conforme os imóveis vão sendo vendidos pelos ocupantes originais e comprados por outro grupo social, inclusive em áreas de habitação popular como o Leporace, aqui em Franca, e o mais perverso é que a valorização decorre em vários casos depois de anos de lutas e reivindicações das populações originais , que sofre por muito tempo a falta de infra-estrutura como escola, asfalto, posto de saúde entre outros , e muitas vezes só chega através das lamentáveis relações de troca de votos e favores políticos que tanto degradam a nossa sociedade. Uma vez expulsa dos locais com infra-estrutura, (pressão imobiliária,apelo irracional ao consumo,ilusões de consumo) a população de baixa renda tem como única alternativa reiniciar o processo de lugares mais distantes e desprovidos de infra-estrutura e investimentos, sendo assim, mais baratos, e voltar ao ciclo narrado anteriormente de favores políticos e negociações em troca da infra-estrutura enquanto constrói suas casas.Este, é um dos fatores que proporciona que as cidades cresçam de forma constante, num primeiro momento em um plano horizontal. Seguindo essa idéia, as cidades nunca crescem "para dentro", aproveitando áreas já adensados e com infra-estrutura já que pessoas com limitações econômicas não podem ter acesso à áreas com melhor infra-estrutura.
Isso ocorre também na questão dos conjuntos habitacionais populares, cujo sempre são construídos em áreas distantes das centrais, é um contra censo, as pessoas mais humildes que necessitam mais de recursos públicos como o transporte para o trabalho ,lazer e outros,são enquadradas em áreas que não possuem tais recursos, enquanto as pessoas que detém esses meios (planos de saúde, veículos próprios etc) ganham dinheiro as custas da especulação imobiliária e necessidades vitais da grande maioria da população. A propriedade é justa, é correta no Brasil, mas o poder público tem que verificar a função social das propriedades. É inadmissível o lucro individual gerado a partir da valorização de áreas ,as custas das tragédias pessoais da maior parte da população brasileira. Quer um exemplo? Você amigo leitor, já viu desabamento no Jardim Botânico no Rio de Janeiro?? Já presenciou alagamento no Morumbi em São Paulo?? Não, só em favelas e áreas mal ocupadas de população pobre que as tragédias acontecem, na elite não. Agora amigo leitor deixo uma questão a ser refletida: Porque alagamento, desabamento e demais tragédias urbanas acontecem na maioria das vezes em áreas de pobres ? Ser pobre é desgraça divina ou o poder publico, o grande capital trata a situação com dois pesos e duas medidas? Essa deixo para você refletir, amigo leitor.

Geliane Gonzaga
secretário de organização PCB-Franca

Um comentário:

_Rafinha_ disse...

procuro por GELIANE GONZAGA que conheci em FOZ,o sacoleiro.